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A Ásia, o Mochilão e o KY

Escrito entre dezembro de 2013 e novembro de 2015

Fotos: acervos meu, de Fabiana Hidemi Takara (Hashi) e Pedro Márcio Siqueira

Acabo de voltar da Ásia. Fizemos Tailândia e Vietnam, eu e mais dois amigos: uma japonesa brasileira e um menino do Rio, calor que provoca arrepio, sem dragão tatuado no braço. Foi foda. Foi mochilão. Foi aventura, loucura, cultura. Foi meio Brasil: lugar quente, gente pobre, gente rica, gente gringa, comida boa, cerveja gelada, depilação. Nossa bagagem só podia ter 7Kg – coisas de estudante viajando com a passagem mais barata da companhia. O que é Marina com 7Kg na bagagem e $1,000 dólares no cartão? 7Kg indo e 15Kg voltando.  De fato, países baratos.

Logo em Melbourne, ao passar pelo detector de metais, drogas, facas, espadas, explosivos e afins, o cara tirou da minha bolsa tudo de higiene pessoal e cosméticos. Tudo menos o tímido KY (lubrificante íntimo), escondinho na necessaire. O cara olhou pro KY, olhou pra mim, e discretamente deixou passar o lubrificante. Mas o que fazer sem minhas vaidades e só com uma bisnaga de KY no mochilão? Pergunta sem respostas.

Mochilar tem disso, de deixar o que nem é tão necessário assim ir embora e ficar só com o essencial. A gente ganha tanta da coisa quando viaja que nem sei mais pra que serve um tônico facial. Mentira, sei sim e precisei pra caramba.

Tailândia é um local que me surpreendeu de todas as formas e Vietnam um que merece meu respeito. Viajar com uma estudante de nutrição teimosa e louca por culinária diferente, e com um músico e aventureiro que se diz estudante de engenharia foram os grandes pilares dessa viagem.

Tailândia

Tailândia

Ha Long Bay - Vietnam

Ha Long Bay – Vietnam

Comi de tudo, vomitei de tudo, tive que fazer trilha, snorkeling, assistir escalada, pulo de pedra; perdi minhas havaianas pela segunda vez numa ilha (e comprei uma nova lá mesmo, com a bandeirinha do Brasil e tudo), repensei minha vida, meus amores, minha casa; fiz topless pela primeira vez, ouvi relatos da guerra do Vietnam da boca de um ex-soldado vietnamita, que arrancou o próprio dedo indicador para ser mandado de volta para casa por invalidez.

O estilo da nossa viagem foi bem uma mistura dos três viajantes: culinária, cultura e aventura, ou seria paladar, visão, audição e tato? Dei notícias lá em casa, fiz da Ásia meu Brasil. Nunca havia mochilado antes por tanto tempo, com direito a dor nas costas do peso das minhas próprias frescuras.

Comecei a escrever este texto quando voltava do passeio de elefante (me arrependi), rafting de bambu, aldeia das mulheres do pescoção dourado (nem quero lembrar) e fábrica de papel feito com cocô de elefante em Chiang Mai – Tailândia. Falei pra Pedro e Hashi “acho que em toda viagem a gente ganha um pouquinho, né? Mas mochilar te faz deixar quase tudo pra trás, como se preparasse o ambiente pra enxurrada de coisa que a gente ganha”. Eles concordaram.

Fotos 3X4 para os nossos vistos do Vietnam (Pedro, eu e Hashi)

É diferente de quando você vai passar natal em Gramado-RS com sua família, se hospedando em hotel bacana e despachando 21Kg de mala para uma semana. Eu já fiz isso, e inclusive recomendo. Chego à conclusão de que mochilar é uma arte que nunca dominarei, mas dizem que a prática leva à perfeição.

Conhecemos muitos viajantes solitários que seduziam a todos por onde passavam; casais maravilhosos que interpretavam como ninguém os altos e baixos dos votos de casamento; grupos de amigos em viagem de formatura; gente jovem, gente velha, criancinhas e até alguns bebês embarcavam com os pais nessas aventuras. Conhecemos também aqueles que entraram na Ásia com mala para ficar um mês e já estão morando há três anos por lá. E isso sem falar nos locais.

Os locais que fazem dos países deles um prato cheio para quem aprecia o exótico, o choque cultural e o caos. O que seria da Tailândia sem a expressão “Thai massage” (massagem tailandesa) a cada 5 segundos poluindo a vibe maravilhosa das ilhas do Sul do país? O que seria do Vietnam sem as 5 motos per capita que não respeitam sinal de trânsito, seres humanos e paz sonora? Seria um cartão-postal. Seria algo sem vida, sem defeitos, sem verdade.

Ambos os países sem as suas peculiaridades seriam uma sessão de meditação vitalícia. Com os seus nativos, vira uma sessão de meditação dentro de um tuk-tuk no trânsito das 5 da tarde, com o motorista falante apenas de sua língua-mãe e querendo negociar o valor da corrida com você, que é brasileiro e sabe das manhas.

Nosso primeiro guia/motorista de tuk-tuk, em Bangkok - Tailândia

Nosso primeiro guia/motorista de tuk-tuk, em Bangkok – Tailândia

Redondezas de Saigon/Ho Chi Min City - Vietnam

Redondezas de Saigon/Ho Chi Min City – Vietnam

Chiang Mai - Tailândia

Chiang Mai – Tailândia (Hashi, crianças tailandesas e Pedro)

Isso vale para todas as viagens possíveis e impossíveis do mundo: não se deixem enganar pelas fotos. No caso da Tailândia e Vietnam, as imagens não conseguem medir a imensidão da beleza dos lugares, nem medir o calor, o barulho, os contra-tempos, as saias-justas, a realidade.

Durante toda a viagem, desde o aeroporto até a volta, eu, Pedro e Hashi documentamos nossas experiências em vídeo e em milhares de fotos. Prometo um dia sentar e editar esses registros de modo que fique à altura do que a gente viveu. Cá entre nós, isso nunca será possível. Venho escrevendo este texto sobre mochilar/viagem pela Ásia/Tailândia e Vietnam desde o finalzinho de 2013, e não sei bem se quando o finalizar, terei escrito tudo que eu gostaria.

Conversando com Dan, amigo que também mochilou pela Ásia – só que sozinho e ao mesmo tempo com várias pessoas diferentes – ele disse que acha que a gente era (e é) jovem demais pra ter conhecido as bandas de lá. Acredito que ele, assim como eu, pretende voltar à Ásia num futuro não muito próximo, mas pretende voltar. Não sei se vou querer reencontrar os lugares pelos quais já passei, ou se vou querer conhecer os lugares que ainda não conheço.

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Meu primeiro topless (autorizado) !!! Tailândia abençoando este momento de liberdade

 

Lembrei agora que, além da sensação de soberba e gratidão imensas, ao longo da viagem eu olhava pra mim e não conseguia entender se era para eu estar lá naquele momento, e se eu merecia estar lá naquele momento. Talvez o momento ainda não tenha chegado, e eu tenha que voltar lá até ele chegar. Era, minha gente, como se eu fosse uma formiguinha tendo que carregar um tijolo. Era como se tudo aquilo fosse demais para a minha existência.

Tailândia

Tailândia

Enquanto Hashi se perdia no meio das delícias exóticas que as culinárias tailandesa e vietnamita tinham a oferecer, enquanto Pedro subia e descia de pedra e socializava com os outros mochileiros, eu enlouquecia com a língua, as pessoas, os olhares e com Hashi e Pedro curtindo a vibe deles ao meu lado. Tudo era digno da nossa atenção, até como forma de agradecimento pelos momentos vividos. E talvez por isso mesmo que eu desejo retornar daqui a vários anos, sozinha ou acompanhada, com ou sem KY, de preferência sem câmera, sem celular e sem Facebook (sonhar não custa nada). Mas com a mochila, a mente e o coração tão leves e abertos para tudo aquilo que já vivi e até hoje não consigo explicar. 

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Abaixo, mais fotos da viagem tiradas entre novembro e dezembro de 2013:

 

 

 

Categories: Made in Austrália, Reticências

Ilustração: Guilherme Lira

O Tamanho do Documento

Ilustração: Guilherme Lira

Escrito em abril de 2014

 

Não é de hoje que o comprimento e largura são assuntos em pauta. Homem fala sobre isso; mulher fala sobre isso; menino fala sobre isso; algumas meninas nem sabem ainda o que é isso; sua avó sabe analisar isso.

Quantos caras não se sentem um pinto no lixo quando tem seus membros avaliados com sucesso? É um prazer para eles engrandecer o seu ego sem braços. Será que é um prazer também para as portas e janelas que recebem essas visitas? O tamanho – realmente – faz diferença?

A diferença já está no tamanho. Não só no comprimento mas na largura, em especial. Bem especial. Há também a diferença entre os ovos. Há também a diferença entre cores, carpete e cortina. Seja por crença, saúde ou precaução, os capacetes também são diferenciados.

E o mais importante: há a diferença de cabeça. Não a cabeça do pênis, e sim o que encabeça o dono do pênis.

Você já teve o desprazer de transar com um cara imbecil? Eu já, mas mais imbecil ainda fui eu. E de transar por necessidade no capô do carro do pai da sua amiga? … E de fazer sexo numa cama king size com um sofá que agregava valor ao espaço? E com um ruivo, um judeu, um fotógrafo numa ilha, um amigo do coração? E de fazer amor? Existe coisa melhor?

A diferença entre cada um desses não estava só no tamanho.

O tamanho às vezes faz diferença no encaixe. Aliás, o tamanho faz uma grande diferença no encaixe, e nem sempre encaixa. Às vezes as pecinhas do Lego não estão casando. Em outras o divórcio vai para além da forma das pecinhas. Muitas vezes, gente, usa KY que vai.

Já ocorreu de notar o tamanho antes de algo mais invasivo acontecer, e simplesmente dizer “amigo, não rola com essa rôla”. Já ocorreu também de uma minhoca virar uma sucuri. Já ocorreu de dois pintos de nacionalidades diferentes serem pau a pau, em que um tinha um par de bolas de vôlei e o outro de basquete. Haja mão-de-obra especializada.

Também depende do buraco que é para ser acertado, né. Tem porta de entrada mais apertada que porta dos fundos. Tem sim, acredite. Tem casa com chaminé, sempre uma opção de escape, ou seria de chegada mais que apertada?

Machucada, arrombada, apertada, receptiva. Cada abertura reage de uma forma diferenciada em machos e fêmeas.

Usa-se a expressão “vai tomar no c*” como algo negativo, quando na verdade deveria ser um desejo de coisa boa. Imagina parabenizar alguém com um “te desejo muita saúde, sucesso e que você tome muito no cú ainda nessa vida”. Isso seria um verdadeiro feliz aniversário, obrigada.

Claro que este buraco em questão é meio polêmico e endeusado. Não sei pra quê, gente. Isso só traz pressão e insegurança para as passivas e passivos, além de muita expectativa para os ativos. Na verdade pressão é bom, mas vamos com calma, gentilmente, que chegamos lá.

“Nossa, dessa vez foi fácil de entrar”, disse ela, feliz.
“Você tá dizendo que meu pau é pequeno?”, disse ele, inseguro.

“Eu acho que já sou arrombada, porque ele me pediu pra apertar minha vagina!”, disse outra, preocupada.
“Pô, talvez ele quisesse um pompoarismo pra fazer uma pressão. Ou talvez tu seja arrombada mesmo”, disse a amiga jurando que estava consolando alguma coisa.

“Desculpa, não dá… É que eu acabei um namoro há pouco tempo e ainda não me sinto confortável para isso”, lamentou uma irritada com a própria combinação cabeça-buceta.
“Tudo bem, é que quando eu te vejo quero pular em você como um animal. Mas eu posso esperar”, respondeu o dono da maior tromba da savana.

Às vezes acho que tamanho é mais assunto de mesa de bar do que de real problemática na cama.

Tamanho é uma questão de centímetros, oras. Simples assim. Impressiona, decepciona, não funciona, engana, é cheio de manha. Cada um no seu quadrado e entrando no buraco que for de sua preferência e dedicação.

Piroca sempre será assunto polêmico; até em conversa mole ela aparece durinha, tinindo. O tamanho pode ser documento, claro. Mas cada qual com sua identidade e assinatura, que é isso que importa ao atravessar fronteiras.

| Originalmente postado aqui |

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Categories: Made in Austrália, Na Cama com Marina