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Sexo é Construção

Ilustração: Guilherme Lira.

Escrito em novembro de 2015 


Sexo é e sempre será assunto de mesa de bar. Na verdade nem é necessário ter uma mesa ou um bar para que o assunto venha à tona, mas vamos combinar que o ambiente dá a sua contribuição para a temática.

Sábado passado estávamos eu, uma amiga e mais dois amigos, várias cervejas Serra Malte acompanhadas de batatas fritas em um bar como cenário. As pautas variavam entre Ru Paul’s Drag Race, ataques terroristas em Paris, papel da mídia tradicional, Facebook, piolho, mundo lésbico, o garçom gato (que tem mulher, porém eles só se vêem a cada 15 dias) e, claro, sexo. Que saudável seria se todos tivessem amigos e amigas para falarem sobre o assunto abertamente, sem medo e rindo sempre que possível. Afinal, sexo também é cultura, diversão e arte.

Conversa vai, conversa vem, cerveja vai, cerveja vem, e minha amiga falou: – Só aprendi a fazer sexo este ano. Estamos em 2015 e ela perdeu a virgindade em 2007. Daí eu pensei (não lembro se verbalizei) “uma coisa é perder a virgindade, outra coisa é começar a fazer sexo”. Cara, isso faz todo o sentido.

O peso que cai sobre a perda da virgindade é tão grande que, na maioria das vezes, quem acaba perdido é a gente. Não importa quantas vezes você já afogou o ganso ou tenha afogado o ganso dos outros ou use outro sinônimo para sexo que não envolva aves: sexo se aprende fazendo, experimentando, se experimentando. Sexo leva tempo. Fazer sexo pela primeira vez pode durar só uns minutinhos. No mundo real, a primeira vez é seguida de várias outras primeiras vezes, e delas vamos construindo nosso repertório sexual.

Nas aulas de educação sexual que tive na escola, quando eu era ainda virgem porém pouco santa, lembro de uma cena um tanto traumática e engraçada ao mesmo tempo. Foram ensinar pra gente que essa história de que camisinha não cabe em alguns paus é falsa. Daí a pessoa que tava dando a aula falou “meninas, se um rapaz disser pra vocês que não quer usar camisinha porque ela não cabe no pênis ‘gigantesco’ dele, lembrem-se de que a camisinha se elastece”, e daí essa pessoa enfiou uma camisinha no braço inteiro e todo mundo fez “ÓÓÓÓ”. E ainda complementou, dizendo que “se o rapaz tiver um pênis do tamanho de um braço, saiam correndo”. O mais cômico é que já saí correndo uma vez.

Não foi na minha primeira, nem na terceira nem namorando que me senti fazendo sexo de verdade. Foi só em 2013 que comecei a conhecer o que era o sexo, tanto com os outros quanto comigo mesma. Para vocês terem uma ideia até quebrei meu vibrador. Antes de aprender a fazer sexo eu já tinha aprendido o que era fazer amor. Fazer amor é precioso, e, assim como o sexo, a gente só sabe que faz, fazendo. Dedico esse tema para outro momento, outro texto.

Não é porque só me percebi fazendo sexo de verdade em 2013 que dali em diante virei expert no assunto. Mas é como se antes eu não tivesse a sensibilidade e alguma maturidade para dizer “essa vez foi boa”, “essa vez não foi”, ou até “nessa, as preliminares fizeram as vezes da penetração”.

Hoje, por exemplo, sei que prefiro transar de manhã do que à noite. Que prefiro sóbria do que bêbada. Que sexo não é só um pênis sendo introduzido numa vagina. Que, em média, brasileiro não tem o pau tão grande quanto teoriza. E que tamanho não é sinônimo de sabedoria, e que sabedoria, essa sim, pode fazer diferença para melhor ou para pior.

Sexo vai muito além de perder a virgindade, que inclusive não deveria ser acompanhada do verbo “perder”. Dá um teor amedrontador para o ato em si, né não… Deveria ser algo com o verbo “buscar”, ou “construir”. Imagina que lindo dizer “comecei a construir minha sexualidade com tantos anos”?

Tem vezes em que faço sexo e penso que poderia ter sido melhor, tanto para mim quanto para a pessoa envolvida. Já relaxei nesse assunto, como também já relaxei na cobrança da frequência com que transo. Fazer sexo pra bater ponto deveria ser amarrado em nome de Jesus. Onde já se viu, minha gente, se cobrar de estar trepando só porque os outros aparentemente estão trepando mais do que nós? Sabe-se lá se esses transões de plantão sabem o que estão fazendo.

Aprender a fazer sexo é também consequência do nosso amadurecimento. Às vezes virar adulta tem o seu lado positivo. Minha amiga só aprendeu a fazer sexo este ano, e eu em 2013. Existe todo um Kama Sutra de possiblidades pela frente, e também existem aqueles e aquelas que preferem desenhar os seus próprios manuais.

 

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Categories: Na Cama com Marina

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