Periquito-Australiano

Depilação

 

Escrito em novembro de 2013

 

Em algumas terras nordestinas chamamos vagina de priquito, assim, juntinho. Não é periquito, como o passarinho, é engolindo o “e”. Aqui usarei periquita porque acho um termo mais nacional. Periquitos hoje vivem engaiolados, e deveriam estar vivendo livres nas vegetações desse meu Brasil, como por exemplo na Mata Atlântica.

Mata Atlântica também serve para designar a situação dos  pêlos pubianos pentelhos nas regiões genitais de machos e fêmeas.

Quando uma moça diz “eita que a situação está séria, já cheguei no nível Mata Atlântica”, é porque ela é adepta da depilação, seja com Gillette, cera, laser, creme Veet, em forma de coração, coelhinho da playboy ou “bigodinho de Hitler”. Outras moças, feministas ou não, deixam a natureza agir e ficam só na base da aparadinha. Rapazes espertos aparam também para não deixar ~ os cabelo do saco enrolar ~, como diriam os criativos Mamonas Assassinas.

Independente de gosto, a mata atlântica sempre cresce e cada um cultiva à sua preferência.

Uma grande porcentagem dessa vegetação no Brasil se encontra devastada, e 100% da minha floresta sofreu queimadas. Sim, após 09 meses nesse país selvagem chamado Austrália voltei a me depilar com cera e dessa vez foi perda total. Me custou AUD$48 para preparar a terra pro arado. Pagava R$ 12 numa franquia de qualidade em João Pessoa, e o maior desaforo é que aqui chamam depilação com cera de Brazilian Waxing, ou só Brazilian, e nem por ser tupiniquim ganhei desconto.

Nunca havia tirado tudo. Fazia o famoso design de periquita conhecido por “bigodinho de Hitler” ou “pista de pouso”. Na Austrália mantive esse padrão na base do giletão mesmo. Até o dia 16/11/2013: O dia em que meus pentelhos saíram de férias.

E eu também vou sair. Estou indo me aventurar com mais dois amigos pela Ásia, com primeira parada na Tailândia. Por essas e outras que decidi arrancar o mal pela raiz. A gente vai pra lugar que tem praia, vai dormir sei lá em que buraco nesse mundo de meu Deus, e não vou ficar me raspando de 2 em 2 dias num albergue louco. Também nunca se sabe das novas amizades que faremos lá, e seria interessante estar preparada de corpo e alma para novas experiências.

O nome dado ao modelo de depilação é “Brazilian All Off”. Isso mesmo: 0% de pentelhos. À medida que a mulher ia puxando a cera, ia surgindo a cara limpa da minha periquita, e ao final eis que aparece ela, há tantos anos coberta por um bigodinho, parecendo uma virgem mentirosa: minha vagina.

Não lembrava de como era a danada. Foi um momento “reconhecendo meu verdadeiro eu”. Amei.

Em conclusão, achei o serviço excelente, doeu menos do que doía no Brasil – e olhe que eu estava há 9 meses só na Gillette -, a mulher que me atendeu era um anjo e aguentou meus berros e “wait wait wait, I need to breathe”. Mais que recomendado, apesar do alto custo. Se irei manter esse estilo nua e crua, ainda não sei. Ao mesmo tempo que me olho no espelho me sentindo uma criança, tenho curtido estar zerada.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Este texto não procura defender e muito menos julgar os inúmeros métodos de depilação ou de não-depilação adotados. Cada um com seus problemas e pentelhos.

 

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Categories: Made in Austrália, Umbigo

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