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Ser Mulher a Vida Inteira

 

Escrito em agosto de 2015

 

Se eu não nasci com uma vagina entre as pernas, significa que não sou mulher? 

E se eu nasci com uma vagina entre as pernas, a porra da buceta não é minha, e sim de quem “me come”?

Se eu não tiver filhos, significa que eu não mereço ser mulher? Se eu não me casar, significa que só sou mulher “pra pegar”?

Se sou mãe solteira, tadinha…

Se eu ganhar um salário maior do que o dos homens, sou mulher-macho?

Se não uso maquiagem, vai me dizer que eu sou desleixada… E se uso maquiagem demais, sou mulherzinha, sou fútil.

Se uso roupa curta, sou puta. Se a roupa é curta e decotada, to pedindo para ser “aproveitada”.

Se gosto de trepar, é porque sou safada. Se não gosto de trepar, é porque sou mal comida.

Se uso cabelo curto, é porque aí tem coisa… Se uso cabelo longo, é porque sou feminina.

Se engravido enquanto jovem, é porque sou irresponsável. Se sou a favor do direito ao aborto, é porque sou assassina.

Se grito, é porque sou louca. Se não grito, é porque sou submissa.

 

Quantas mulheres nascem no mundo?

De onde vem as mulheres que nascem no mundo?

Quantas não sofreram por serem mulheres?

Quantas não morreram por serem mulheres?

Quantas não se condenam por serem mulheres?

Até quando ser mulher será uma maldição?

Ser mulher a vida inteira é ser guerreira a vida inteira. Se abster da luta é se abster de existir.
Que as mulheres façam uma Marcha das Vadias a cada passo que derem no chão.

 

– Este texto foi feito especialmente para o Sarau Feminista que ocorreu na Noite da Vadiagem (08/08/2015), promovido pela Marcha das Vadias de João Pessoa-PB –

 

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Categories: Pingos nos Is, Reticências

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