sem-imagem

De Onde Vem o (meu) Feminismo

Escrito em agosto de 2015

Eu não nasci feminista, nem minha primeira palavra foi “so-ro-ri-da-de”.

Simone de Beauvoir diz que também não nasci mulher, e sim me tornei uma. Se ninguém nasce mulher, e sim torna-se uma, o que eu diria a mim mesma se perguntasse: que mulher você se tornou?

Nasci de uma mulher que não perde muito tempo com rótulos. Mãe solteira nunca foi motivo de orgulho ou de pena. Mulher e mãe, essas sim eram suas únicas certezas diante de um mundo preocupadíssimo com rótulos.

Fui criada por mulheres de várias idades. Nenhuma delas chegou para mim e disse “eu sou feminista e você vai ter que ser também!”. Para ser bem sincera, ouvia mais a palavra “machismo” do que “feminismo”. Do machismo sempre tive nojo: não conseguia entender. Do feminismo eu tinha distância, mas queria, um dia, compreender.

Fui educada por mulheres. Cresci com as mulheres!

Elas foram meu grito de guerra, meus livros, meus nús artísticos, minha proteção. Essas mulheres são minha bandeira. Eu diria que foram elas que me tornaram uma mulher, aliás, uma mulher feminista.

Quando percebi que o feminismo não era um clube no qual se precisava de cadastro e carteirinha, todas as portas se abriram para que eu me descobrisse feliz da vida por ter me encontrado. Talvez eu até tenha me tornado mais mulher depois que a lombra do feminismo bateu.

Me perceber feminista, independente de documento de identidade para tal, foi como a primeira vez que fui à praia só de biquíni. Eu tinha 15 anos. Depois de muito tempo usando camisas largas e shortinho para esconder meu corpo e meus hormônios adolescentes, minha tia me disse:

– Vai lá, entra no mar! O que você tem a esconder?

Eu tinha um corpo lindo, que era motivo de olhares que eu não entendia. Tinha algumas estrias e celulite também. Eu, com 15 anos, já tinha corpo de mulher e o julgamento do mundo nas costas.

E nesse dia ensolarado deixei minha roupa na areia e fui só de biquíni mergulhar num mar brabo, gelado e libertador. A partir daí eu tinha entrado para o clube das “sem-vergonha”, o que eu chamaria mais tarde de feministas.

– Este texto foi feito especialmente para o Sarau Feminista que ocorreu na Noite da Vadiagem (08/08/2015), promovido pela Marcha das Vadias de João Pessoa-PB –  

 

Clica e acompanhe o blog pelo Facebook!

 

Categories: Umbigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *