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A Sementinha

Foto: eu bebê e minha mãe com 20 e poucos anos no jardim de casa (Recife-PE)
Escrito em julho de 2015

Eu tinha 6 anos quando aprendi de onde vem os bebês.

Estava no recreio da escola e Isabela, minha mais nova amiga, veio perguntar sobre o casamento dos meus pais.

Eu respondi: – Mas que casamento?!

Ela disse, com uma cara de sabe-tudo: – Pra você ter nascido, eles tiveram que se casar!

Não lembro o que respondi. Devo ter ficado paradinha, olhando fixamente pra algum local da Educação Infantil, tentando entender se quem era louca era eu, era ela ou meus pais por não terem se casado.

Era o meu primeiro ano estudando na Escola Mater Christi, e acho de verdade que ela queria somente socializar, não criar inimizade comigo falando de um assunto que, querendo ou não, é muito particular.

No fim do dia fui pra casa e esse pensamento ficou me assombrando muito. Cegonha, repolho e fadas nunca fizeram muito sentido pra mim, e se não era através do casamento, eu só podia ser… Adotada.

Na mesma época em que entrei na Mater, conheci não só Isabela como Daniel. Daniel era meu coleguinha, e era um menino adotado. Lembro muito bem que foi a partir daí que fiquei sabendo o que era adoção. Logo, a única explicação para o meu nascimento seria a adoção!

Até que, finalmente – após idas e vindas do meu pensamento – perguntei pra mainha de onde eu tinha vindo, já que ela e meu pai não haviam se casado nem estavam juntos.

Foi então que fiquei sabendo da tal sementinha.

Acho a história da sementinha uma explicação linda para a origem dos bebês, para a origem das plantas, para a origem das coisas.  Para tudo a gente tem que plantar.

Mainha explicou que, para me plantar e para plantar outros bebês, o pai e a mãe se amam tanto que eles se abraçam, se beijam, e tem vezes que esse amor é tão grande que o pai (ou o espermatozóide) e a mãe (ou o óvulo) plantam juntos essa sementinha (fecundação), e é dentro da mãe que a sementinha se desenvolve, cresce, pra depois virar árvore, virar flor, virar gente.

Claro que com o tempo descobri a inseminação artificial; descobri que nem sempre o pai e a mãe se amam na hora de plantar a sementinha; descobri que muitas vezes, após plantar a sementinha, o pai não quer cuidar do que plantou (ou a mãe também); descobri que existem sementinhas que não crescem; existem sementinhas que podem ser evitadas, e para isso existe a camisinha, amém. Existem sementinhas indesejadas, assim como há aqueles que, de tanto desejarem aquela sementinha e sua futura muda, cuidam dela como se fossem suas.

E todas essas sementinhas são diferentes, até aquelas que germinam ao mesmo tempo, na mesma terra.

A partir da história da sementinha, descobri que casamento é uma coisa, sementinha é outra, e ignorância deve ser vencida com informação e amor.

E foi o que mainha fez quando eu tinha 06 anos e não sabia da origem dos bebês.

 

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Categories: Pingos nos Is, Umbigo

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