mainha e veronica_olinda

Amigos

Foto tirada em Olinda-PE, carnaval de 1996, mesmo ano em que minha mãe e meu padrasto se conheceram. O resto é história.

Escrito em dezembro de 2014

Eu não faço ideia do que é perder um amigo. Meus amigos mais próximos sabem que são tão importantes quanto minha família, quiçá ainda mais. Perder um amigo, para mim, seria como perder um pedaço de mim.Minha noção de amizade é diretamente ligada às amizades que a minha mãe plantou, cultivou e semeou no decorrer da vida.

Para vocês terem uma ideia, minha madrinha se formou com ela no colégio. Aliás, eu tenho 3 (fadas) madrinhas: Tia Keyla, Tia Lena e Tia Laura, porque apesar de Tia Keyla ter ganho o sorteio na época, mainha sempre fez questão de declarar as três ao mesmo cargo.

Mainha tem um grupo de amigas chamado “As Poderosas”, uma brincadeira com o desenho animado “As Meninas Superpoderosas”. Uma espécie de Sex and the City made in Recife, o grupo conta com cinco mulheres incríveis que fizeram mestrado com o mesmo orientador na UFPE: Marianne (minha mãe), Cris, Marcinha, Tina e Beth. Lembro dos jantares, reuniões e histórias intermináveis que elas promoviam.

Os amigos de infância da minha mãe são seus primos e primas, que tinham a sorte de morarem quase todos na mesma rua e dividirem quase as mesmas lembranças. A rua do Chacon, em Recife, além de ser endereço da família Suassuna e Arraes, é antes de tudo a rua dos Rocha Carvalho.

Essa semana percebi que meus laços de amizade foram guiados pela teia que minha mãe criou para ela.
Essa semana minha mãe perdeu uma de suas melhores amigas, Veronica.

Elas se conheceram na graduação do curso de Jornalismo da UFPE, lá pela década de 80.
Seguiram caminhos acadêmicos e de carreira diferentes, mas sempre se encontravam para tomar uma cerveja e comer caranguejo, ou nas festas lá de casa, ou contando as novas por telefone/email.

Em todas as histórias de carnaval que mainha me conta, Veronica estava no meio. Inclusive nos meus carnavais, uso uma saia de retalhos que elas fizeram como fantasia. Aqueles pedaços de tecido tem muito mais história que minha vida inteirinha.

Quando eu recebia notícias de Veronica, ela estava em algum lugar do mundo ou do país, e quando chegava em Recife já ligava para o eterno 3268 0932 e marcava aquela noitada regada a (muitos) caranguejos. Quando fiquei mais velha, mainha me levava também.

A última vez que falei com Veronica foi por Facebook, quando ela postou fotos do muro de Berlim cerca de 10 anos após sua destruição, em uma de suas viagens.

Também por motivos de viagem ela conheceu quem seria meu futuro padrasto, e num tal carnaval dos anos 90 apresentou minha mãe a ele. Mal sabiam os três que naquele carnaval estaria se formando o que chamamos hoje de família.

A amizade de mainha e Veronica é o que às vezes nem tenho noção que estou construindo: uma irmandade.

Nesse momento não tenho como me imaginar no lugar da minha mãe e dos tantos amigos e amigas que Veronica conquistou.
Sei que todos exaltam sua companhia e seu sorriso, que de fato eram preciosos.

Assim que recebi a notícia só conseguia pensar nas minhas Veronicas. Em todas elas: as que conheço desde criança, que praticamente cresceram lá em casa; que ligavam para o mesmo 3268 0932; que partilham dos mesmos carnavais; das mesmas viagens; do mesmo curso de jornalismo; do mesmo caranguejo e cerveja e do mesmo amor.

Dedico este texto aos meus queridos amigos e amigas, à amizade de Mari e Veca e a todos que tiveram que se despedir de suas Veronicas ao longo da vida.

| Originalmente postado aqui |

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Categories: Reticências

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